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Inverno em Goiás aumenta casos de doenças respiratórias; veja como se proteger

Inverno em Goiás aumenta casos de doenças respiratórias; veja como se proteger
Inverno em Goiás aumenta casos de doenças respiratórias; veja como se proteger

Queda da umidade e variação de temperatura elevam procura por atendimento médico no estado, e especialistas reforçam cuidados com grupos vulneráveis.

Com a chegada do inverno, Goiás registra aumento expressivo nos casos de doenças respiratórias, um padrão que se repete todos os anos, mas que voltou a preocupar autoridades de saúde em 2026. A combinação de baixa umidade do ar, poeira em suspensão e oscilação brusca de temperatura tem favorecido o agravamento de quadros como rinite, sinusite, asma e bronquite em diferentes regiões do estado. Levantamentos recentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já haviam apontado Goiás entre as unidades federativas com sinal de aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o que reforça a necessidade de atenção redobrada por parte da população.

Diante desse cenário, médicos e gestores públicos vêm reforçando orientações de prevenção, especialmente voltadas a crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas. A dúvida mais comum entre os goianos é simples: por que o frio seco do Cerrado castiga tanto as vias respiratórias, e o que pode ser feito para reduzir os riscos sem exagero nem descuido? A resposta passa por hábitos básicos, mas também por entender como o clima local se comporta de forma diferente de outras regiões do país.

Por que o inverno goiano agrava tanto os problemas respiratórios

O que diferencia o inverno em Goiás de outras regiões do Brasil é a queda acentuada da umidade relativa do ar, um fator que pesa mais do que o próprio frio. Segundo a pneumologista Adria Santana, da unidade da Secretaria da Saúde de Goiás (SES-GO) gerida pelo Instituto Sócrates Guanaes, o clima seco resseca as mucosas do nariz, da boca e das vias respiratórias, favorecendo o agravamento de doenças como rinite, sinusite e asma. Esse ressecamento pode provocar tosse seca, irritação na garganta, coriza, congestão nasal e, em casos mais intensos, sangramentos nasais, sintomas que costumam se intensificar entre os meses de junho e agosto.

Some-se a isso o chamado “efeito gangorra”, fenômeno em que a alternância entre dias muito frios e dias mais quentes exige um esforço maior do sistema respiratório para se adaptar. Pneumologistas ouvidos por veículos especializados explicam que essa variação funciona como um teste de resistência para o aparelho respiratório, já que a mucosa inflama com mais facilidade e a imunidade local fica temporariamente menos eficiente, abrindo espaço para a instalação de vírus. O quadro se agrava ainda mais porque o inverno leva as pessoas a passarem mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que facilita a circulação de agentes infecciosos entre familiares, colegas de trabalho e colegas de escola.

Crianças, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes com doenças respiratórias crônicas formam o grupo de maior risco para complicações mais graves. Boletins da Fiocruz já indicaram aumento de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) em bebês de até dois anos em diversas regiões do Centro-Oeste, incluindo Goiás, o que reforça a importância de atenção constante às crianças pequenas nesse período do ano.

O que fazer para se proteger e quando procurar atendimento médico

A boa notícia é que boa parte das medidas de prevenção é simples e está ao alcance de qualquer família. A hidratação frequente é apontada por especialistas como uma das ações mais eficazes: a recomendação é ingerir entre dois e três litros de líquidos por dia, o que ajuda a manter as mucosas menos ressecadas. A lavagem nasal com soro fisiológico também é indicada, inclusive para quem ainda não apresenta nenhum sintoma, já que auxilia a manter as vias respiratórias limpas e hidratadas.

Quem usa umidificador de ambientes deve redobrar a atenção com a higienização do aparelho, já que o excesso de umidade pode favorecer o aparecimento de mofo e, paradoxalmente, agravar problemas respiratórios. A orientação médica é ligar o equipamento algumas horas antes de dormir, mantendo o ambiente fechado, e desligá-lo na hora de deitar. Para quem não tem o aparelho, toalhas úmidas espalhadas pelo quarto já ajudam a amenizar o ressecamento do ar durante a noite. Também é recomendável evitar atividades físicas ao ar livre nos horários de menor umidade e em locais com maior concentração de poeira ou poluição, já que partículas em suspensão tendem a irritar ainda mais as vias aéreas.

A vacinação continua sendo a principal ferramenta de proteção contra formas graves das doenças respiratórias sazonais. A vacina contra a gripe está disponível na rede pública para toda a população, com atenção especial para gestantes, idosos e crianças. Já a vacina contra o VSR, oferecida a gestantes entre a 28ª e a 36ª semana pelo Sistema Único de Saúde, permite que a mãe transfira anticorpos ao bebê ainda durante a gravidez, protegendo o recém-nascido nos primeiros seis meses de vida. Segundo especialistas, sinais de alerta como falta de ar, chiado no peito, febre por mais de três dias ou queda na saturação de oxigênio abaixo de 94% exigem procura imediata por atendimento médico.

Diante do quadro sazonal que se repete todos os anos, a orientação das autoridades de saúde de Goiás é clara: prevenção contínua vale mais do que reação tardia. Manter a carteira de vacinação atualizada, adotar hábitos simples de hidratação e higiene, e ficar atento aos sinais do próprio corpo são medidas que, juntas, reduzem significativamente o risco de complicações. Para quem já convive com doenças respiratórias crônicas, o acompanhamento médico regular ganha ainda mais importância nesta época do ano, já que pequenas pioras no quadro podem evoluir rapidamente se não forem tratadas a tempo. A recomendação médica permanece a mesma: qualquer sintoma persistente merece avaliação profissional, sem automedicação.

Fontes: Governo de Goiás | Agência Goiás | Agência Brasil | O Tempo