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Brasil abre 13 novos mercados agrícolas e Goiás pode ampliar exportações

Brasil abre 13 novos mercados agrícolas e Goiás pode ampliar exportações
Brasil abre 13 novos mercados agrícolas e Goiás pode ampliar exportações

Anúncio do Ministério da Agricultura cria oportunidades para genética bovina, couro, ovos férteis, grãos e carnes produzidos no estado.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a abertura de 13 novos mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros, resultado de negociações sanitárias e fitossanitárias concluídas com países da América do Sul, América Central, África e da União Econômica Euroasiática. Com essa rodada, o Brasil chega à marca de 639 aberturas de mercado em 97 destinos diferentes desde o início de 2023. Para Goiás, o anúncio tem peso direto porque o estado é um dos principais produtores de cadeias como genética bovina, couro, ovos férteis, grãos e carnes, justamente os setores mencionados entre os produtos contemplados pelas novas habilitações comerciais. A pergunta que fica para o produtor rural goiano é objetiva: essa abertura de mercado vai se transformar em contrato de exportação em curto prazo, ou é mais um anúncio que demora a virar negócio fechado?

Por que a abertura de mercado não garante venda imediata

Especialistas ouvidos por veículos que cobrem o setor lembram que os resultados de novas habilitações comerciais raramente aparecem de forma imediata. A consolidação de qualquer mercado recém aberto depende da construção de relações comerciais entre exportador e comprador, da competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes de outros países e da capacidade da cadeia produtiva de atender às exigências específicas de cada nação importadora. Isso significa que, mesmo com a autorização sanitária concedida pelo governo do país comprador, cabe às empresas e frigoríficos goianos negociar contratos, ajustar logística e comprovar, na prática, que conseguem cumprir prazos e volumes. Um secretário de governo estadual, citado em reportagem sobre o tema, avaliou que o anúncio reduz barreiras técnicas e agiliza processos de habilitação, o que fortalece a imagem de Goiás como fornecedor confiável perante compradores internacionais.

Ainda assim, o histórico recente do comércio exterior goiano ajuda a entender o contexto em que esse anúncio chega. Dados de exportação do estado mostram que, em março deste ano, Goiás registrou US$ 1,164 bilhão em vendas externas, alta de 62,3% em relação ao mês anterior, com superávit comercial de US$ 758 milhões apenas naquele período. No acumulado do ano, o saldo positivo já passava de US$ 1,3 bilhão. Esse desempenho recente indica que o setor produtivo goiano já vinha em trajetória de crescimento antes mesmo da nova rodada de aberturas anunciada pelo Mapa, o que aumenta a chance de que os novos mercados sejam aproveitados com mais agilidade do que aconteceria em um cenário de estagnação exportadora.

O que muda para o produtor rural do estado

Na prática, o efeito mais direto tende a aparecer primeiro nas grandes cadeias já organizadas para exportação, como frigoríficos de carne bovina e de aves, além de empresas especializadas em genética animal, setor em que Goiás já tem reconhecimento internacional consolidado. Produtores menores, que vendem principalmente para o mercado interno ou por meio de cooperativas, tendem a sentir esse tipo de anúncio de forma mais indireta, geralmente pelo efeito de preço, já que o aumento da demanda externa pode pressionar cotações internas de determinados produtos. Por outro lado, o setor de grãos, que também está entre os beneficiados pelas novas habilitações, vive um momento de ajuste em Goiás, já que a produção estadual de milho e soja registrou queda de produtividade nesta safra, mesmo com a área plantada em expansão.

Esse cenário misto, de mercados externos se abrindo ao mesmo tempo em que a produtividade interna enfrenta dificuldades climáticas, é o pano de fundo que o produtor rural precisa considerar antes de fazer planejamento para os próximos meses. Uma safra menor não impede a exportação, mas reduz a margem de manobra do produtor para negociar volumes adicionais além dos contratos já fechados com o mercado interno. Ainda assim, a diversificação de destinos, com 97 países já habilitados a receber produtos brasileiros desde 2023, funciona como uma rede de proteção para o setor, já que reduz a dependência de poucos compradores internacionais.

A abertura de 13 novos mercados representa uma oportunidade concreta para o agronegócio goiano, mas a transformação desse anúncio em resultado financeiro depende de fatores que vão além da decisão do governo federal, como competitividade de preço, logística de exportação e capacidade de atender exigências sanitárias específicas de cada país comprador. O produtor e o empresário do setor devem acompanhar, nos próximos meses, quais empresas efetivamente fecham os primeiros contratos dentro dessas novas habilitações, já que esse é o indicador mais confiável de que a medida está gerando resultado prático e não apenas repercussão política.

Fonte: O Hoje