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Chuvas fora de época elevam risco de dengue e chikungunya em Goiás, alerta Saúde

Profissional de controle de pragas utiliza uma máquina de fumaça para fumigar a área externa de uma residência.
Secretaria de Estado da Saúde aponta que a combinação entre precipitações, calor e El Niño favorece o mosquito Aedes aegypti; estado já soma 103.213 casos confirmados de dengue em 2026.

A ocorrência de chuvas fora de época em diferentes regiões de Goiás elevou o alerta para a transmissão de dengue, chikungunya e zika no estado. Em comunicado divulgado em 10 de setembro de 2026, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que a combinação entre precipitações, temperaturas altas e a atuação do fenômeno El Niño cria condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti.

O alerta ocorre em um cenário de aumento dos registros de dengue em Goiás. Até a data da divulgação, o estado contabilizava 158.461 notificações e 103.213 casos confirmados da doença em 2026. O número representa alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados apresentados pela SES-GO.

Também foram confirmadas 81 mortes provocadas pela dengue, enquanto outras 31 permaneciam sob investigação. Os números estaduais incluem municípios de diferentes regiões, abrangendo tanto áreas urbanas mais populosas, como Goiânia e Anápolis, quanto cidades do interior.

Mudança na circulação dos sorotipos

Um dos principais pontos destacados pela Secretaria de Saúde é a alteração no perfil de circulação do vírus da dengue. Em 2026, o sorotipo DEN-3 passou a responder por 53,8% das amostras positivas analisadas em Goiás. O DEN-2, por sua vez, representou 45,8% dos exames positivos.

A distribuição é diferente da observada no ano anterior. Em 2025, o DEN-2 correspondia a 87,4% das amostras examinadas no estado. A mudança é relevante porque pessoas que já tiveram dengue causada pelos sorotipos 1 ou 2 não contam necessariamente com proteção contra o DEN-3.

Com a maior presença do DEN-3, aumenta a parcela da população que pode estar suscetível a uma nova infecção. A circulação simultânea ou alternada de diferentes sorotipos exige atenção contínua das autoridades e reforça a importância de interromper o ciclo de reprodução do mosquito transmissor.

Chikungunya também apresenta crescimento

O alerta da SES-GO inclui ainda o avanço da chikungunya. Em 2026, foram registradas 13.317 notificações e 11.223 confirmações da doença em Goiás. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o crescimento informado pela pasta foi de 356%.

O estado também contabilizava cinco mortes confirmadas por chikungunya. Assim como ocorre com a dengue, a transmissão depende da presença do Aedes aegypti, que encontra condições favoráveis quando há água acumulada e temperaturas elevadas.

As chuvas fora do período esperado podem aumentar a quantidade de recipientes com água parada em residências, terrenos e áreas abertas. Quando esse acúmulo não é eliminado, o ambiente pode se transformar em criadouro do mosquito e contribuir para a continuidade da transmissão em diferentes bairros e municípios.

Prevenção depende de cuidados nos imóveis

Entre as medidas recomendadas pela Secretaria de Estado da Saúde estão a eliminação de recipientes que possam acumular água, a limpeza de calhas e quintais e a manutenção de reservatórios devidamente tampados. A orientação é reforçar a vistoria dos imóveis depois dos períodos de chuva.

A inspeção deve incluir locais nem sempre observados na rotina, como calhas, recipientes deixados no quintal e estruturas que possam reter água. A recomendação vale para casas, apartamentos, estabelecimentos comerciais e áreas comuns de condomínios.

O controle dos criadouros é uma medida essencial porque reduz a possibilidade de nascimento de novos mosquitos e, consequentemente, a circulação dos vírus. A responsabilidade é compartilhada entre o poder público e os moradores, que podem identificar e eliminar focos dentro de seus próprios imóveis.

O cenário descrito pela SES-GO combina aumento dos casos, mudança na predominância dos sorotipos e condições climáticas favoráveis ao vetor. Por isso, a orientação é manter os cuidados mesmo fora do período tradicionalmente associado às chuvas e repetir a vistoria sempre que houver precipitações.

As informações sobre notificações, confirmações, mortes e circulação viral foram divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás em 10 de setembro de 2026.