Tecnologia

Goiás abre editais do GovTech com contratos de até R$ 1,6 milhão para startups

Goiás abre editais do GovTech com contratos de até R$ 1,6 milhão para startups
Goiás abre editais do GovTech com contratos de até R$ 1,6 milhão para startups

Programa estadual de inovação aberta busca soluções tecnológicas para desafios da gestão pública, com foco em sensoriamento remoto e dados fiscais.

O Governo de Goiás lançou mais uma edição do GovTech, programa estadual de inovação aberta que conecta startups, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa aos desafios reais da administração pública. Nesta rodada, o desafio foi proposto pela Secretaria da Economia e busca soluções baseadas em sensoriamento remoto e análise geoespacial capazes de identificar a produção agrícola no território goiano e cruzar essas informações com os dados fiscais declarados pelos produtores.

A proposta desperta uma dúvida comum entre empreendedores e pesquisadores que acompanham o ecossistema de inovação do estado: como funciona, na prática, a contratação de uma startup por um governo estadual, e o que diferencia esse modelo de uma licitação tradicional. A resposta está no instrumento jurídico utilizado pelo programa, que permite testar tecnologias em ambiente real antes de qualquer decisão sobre adoção em maior escala.

Como funciona o GovTech e o que está em jogo no novo edital

O GovTech é conduzido pelas secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-GO) e da Administração (Sead-GO), com apoio do Hub Goiás, espaço público de inovação gerido em parceria com o Porto Digital. O programa é considerado hoje o maior de seu tipo entre as administrações estaduais do país, com previsão de lançar seis editais distintos, cada um vinculado a um desafio específico apresentado por uma secretaria do Governo de Goiás. As áreas contempladas incluem saúde, economia, administração, meio ambiente, governo e ciência, tecnologia e inovação.

A ferramenta jurídica que viabiliza essas contratações é o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), modelo previsto na Lei Complementar 182 que permite ao poder público testar e validar tecnologias em ambiente real antes de decidir sobre uma eventual adoção em larga escala. Segundo o Artigo 13 da lei, qualquer pessoa física ou jurídica pode participar do ciclo de inovação, isoladamente ou em consórcio, desde que esteja legalmente constituída até o fim da fase de prototipagem. Isso significa que startups, empresas já estabelecidas, universidades, alunos e profissionais de tecnologia da informação têm a mesma oportunidade de disputar os contratos, que podem chegar a R$ 1,6 milhão por projeto selecionado, com recursos aportados diretamente pelo Governo de Goiás.

No desafio mais recente, conduzido pela Secretaria da Economia, o objetivo declarado é ampliar a eficiência da fiscalização estadual por meio do cruzamento entre imagens de sensoriamento remoto e dados fiscais já declarados pelos produtores rurais. Na prática, a tecnologia pretende ajudar o governo a identificar com mais precisão a produção agrícola efetivamente realizada em cada propriedade, aprimorando processos de monitoramento e planejamento tributário em um estado onde o agronegócio representa uma parcela expressiva da economia.

Investimento e resultados: o que o programa já entregou até aqui

Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico Lyra Netto, o programa representa um passo decisivo na modernização da gestão pública estadual, ao adotar a inovação aberta como estratégia permanente de governo. Já o secretário da Administração, Alan Tavares, destaca que a participação da sociedade e das startups na construção de soluções contribui diretamente para ganhos de eficiência e economia de recursos e tempo dentro da máquina pública.

O Governo de Goiás já sinalizou a intenção de investir até R$ 10 milhões em projetos de GovTech ao longo dos seis editais previstos, direcionados a startups, empresas de tecnologia, Instituições de Ciência e Tecnologia e pessoas inovadoras que atuem com dados, inteligência artificial e integração de sistemas. A Secretaria de Saúde já havia sido a primeira pasta a lançar um edital dentro do programa, e outras secretarias seguiram o mesmo caminho ao longo do primeiro semestre de 2026. Os participantes selecionados recebem, além do contrato, mentorias especializadas, apoio técnico e acesso à estrutura de coworking do Hub Goiás, o que amplia as chances de que as soluções desenvolvidas continuem evoluindo mesmo após o fim do projeto piloto.

Para o setor de tecnologia goiano, iniciativas como o GovTech representam uma porta de entrada relevante para empresas que buscam validar produtos junto ao setor público antes de tentar escalar suas soluções para outros estados ou para o mercado privado. O modelo também sinaliza uma tendência mais ampla observada em diferentes governos estaduais brasileiros, que passaram a tratar a inovação aberta como ferramenta estratégica para resolver problemas concretos da administração pública, em vez de depender exclusivamente de contratações tradicionais de longo prazo. Quem tiver interesse em participar de futuras edições pode acompanhar as publicações de novos editais diretamente no site do Hub Goiás.

Fontes: Secretaria da Economia de Goiás | Diário de Goiás | Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás | Hub Goiás