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Teste no tumor revoluciona tratamento: descubra quem realmente precisa de quimioterapia

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Durante décadas, a decisão sobre indicar ou não quimioterapia depois da cirurgia de câncer de mama dependeu quase inteiramente de características gerais do tumor, como tamanho e comprometimento de linfonodos, aplicadas de forma relativamente parecida para pacientes com perfil clínico semelhante. O médico radiologista, Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues destaca uma mudança relevante nesse cenário: testes genômicos capazes de analisar diretamente a atividade de genes específicos dentro do próprio tumor, oferecendo informação individualizada sobre o real benefício da quimioterapia para cada paciente.

Os dois testes mais conhecidos, chamados Oncotype DX e MammaPrint, analisam respectivamente 21 e 70 genes relacionados ao comportamento do câncer de mama, gerando uma pontuação de risco que orienta diretamente essa decisão terapêutica. Entender como esses exames funcionam e por que representam um avanço tão significativo na personalização do tratamento oncológico ajuda a explicar uma das aplicações mais concretas da medicina de precisão já disponível na prática clínica atual.

Por que testar genes específicos do tumor ajuda tanto na decisão sobre quimioterapia?

O câncer de mama com receptor hormonal positivo e sem superexpressão da proteína HER2, perfil mais comum entre os diagnósticos, nem sempre se beneficia da mesma forma da quimioterapia adjuvante, já que uma parcela relevante desses tumores responde bem apenas ao tratamento hormonal, sem necessidade do tratamento quimioterápico mais agressivo. Antes da existência desses testes, a decisão sobre incluir ou não a quimioterapia dependia de critérios clínicos gerais, que funcionavam bem para os casos mais extremos, mas deixavam uma zona cinzenta relevante de pacientes em que a decisão era mais incerta.

Segundo o Dr. Vinicius Rodrigues, o maior estudo já realizado sobre o tema, conhecido como TAILORx, acompanhou mais de dez mil pacientes e confirmou que o teste Oncotype DX identifica corretamente cerca de 80% das mulheres que podem seguramente evitar a quimioterapia, reservando essa indicação apenas para a minoria que realmente se beneficia de forma substancial do tratamento. Para ele, esse tipo de validação em larga escala é o que diferencia esses testes de outras ferramentas promissoras que nunca chegaram a esse nível de comprovação científica.

Como a pontuação gerada por esses testes orienta, na prática, a decisão do oncologista?

O resultado do Oncotype DX é apresentado em uma escala que vai de zero a cem, refletindo o risco de recorrência da doença nos dez anos seguintes ao tratamento inicial: quanto menor a pontuação, menor a necessidade de quimioterapia, já que o tumor demonstra comportamento biológico menos agressivo. O MammaPrint, por sua vez, classifica o resultado de forma binária, entre alto e baixo risco genômico, também orientando diretamente se a quimioterapia traria benefício real para aquela paciente específica.

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Na avaliação do médico radiologista, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, um estudo brasileiro que avaliou o uso do MammaPrint em mulheres do país encontrou uma proporção ainda maior de pacientes classificadas como baixo risco genômico, cerca de 57%, comparada aos 46% observados no grande estudo europeu que originalmente validou esse teste, sugerindo que a população brasileira pode se beneficiar de forma ainda mais expressiva dessa ferramenta na redução do uso desnecessário de quimioterapia.

Esses testes já estão disponíveis para qualquer paciente dentro do sistema de saúde brasileiro?

O acesso ainda é limitado, principalmente pelo custo elevado desses exames, que dependem de tecnologia de sequenciamento genético especializada, disponível apenas em laboratórios de referência. Dentro da saúde suplementar, uma parcela crescente de planos de saúde já garante cobertura para esses testes diante de indicação médica adequada, mas o acesso dentro do Sistema Único de Saúde ainda é restrito, distante da realidade da maior parte das pacientes atendidas pela rede pública.

Para o Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, ampliar esse acesso dentro do SUS representaria, paradoxalmente, economia relevante para o próprio sistema de saúde a médio prazo, já que evitar quimioterapia desnecessária reduz não apenas efeitos colaterais para a paciente, mas também custo direto do próprio tratamento e de suas complicações associadas, quando esse tratamento não traria benefício real comprovado.

Um resultado de baixo risco genômico significa que a paciente nunca terá recorrência da doença?

Não, e essa distinção é importante: um resultado de baixo risco indica que a quimioterapia especificamente não traria benefício adicional relevante para reduzir o risco de recorrência daquela paciente, mas não elimina completamente a possibilidade de recorrência, que continua dependendo de outros tratamentos já indicados, como a hormonioterapia, e do acompanhamento clínico regular recomendado para qualquer paciente tratada de câncer de mama.

O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues reforça que esses testes genômicos não substituem a avaliação médica completa, funcionando como uma ferramenta adicional que refina a decisão terapêutica, sempre interpretada dentro do contexto clínico mais amplo de cada paciente, incluindo idade, histórico familiar e outras características pessoais relevantes para a decisão final de tratamento.

A possibilidade de analisar diretamente a atividade genética de um tumor, em vez de depender apenas de características clínicas gerais, representa um dos avanços mais concretos da medicina personalizada aplicada ao câncer de mama. Poupar milhares de mulheres de uma quimioterapia que não traria benefício real, sem comprometer a segurança do tratamento, é exatamente o tipo de ganho que justifica o investimento contínuo em pesquisa genômica aplicada à oncologia.