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CPRs respondem por quase metade do crédito rural no início da safra 2026/27

Agricultor idoso segura um documento e uma pá em uma área rural ensolarada.
Produtores empresariais contrataram R$ 65,7 bilhões entre julho e agosto; instrumento privado somou R$ 32,4 bilhões no período

Os produtores enquadrados no Pronamp e os demais produtores rurais contrataram R$ 65,7 bilhões em crédito rural nos dois primeiros meses da safra 2026/27. O volume corresponde ao período entre julho e agosto de 2026 e foi divulgado em 8 de setembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.

O principal destaque do balanço é a participação das Cédulas de Produto Rural (CPRs), que movimentaram R$ 32,4 bilhões. O valor representa 49,2% do total contratado no começo da temporada agrícola e supera os R$ 23 bilhões destinados às operações convencionais de custeio. Os dados estão no levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária.

CPRs ganham espaço no financiamento da produção

A CPR é um instrumento que permite ao produtor rural obter recursos mediante o compromisso de entregar futuramente determinada produção agropecuária. Na prática, o mecanismo pode ser utilizado para apoiar etapas como compra de insumos, plantio, manutenção da lavoura, comercialização e organização do fluxo de caixa da propriedade.

A participação registrada no início da safra mostra o peso dos instrumentos privados na estrutura de financiamento do agronegócio. Embora o custeio tradicional continue relevante, as CPRs responderam por praticamente metade do crédito contratado no período analisado. O balanço, porém, não apresenta comparação com os dois primeiros meses de safras anteriores, o que impede concluir, apenas com os dados divulgados, qual foi a taxa de crescimento dessa modalidade.

Além do custeio e das CPRs, o crédito rural foi distribuído para outras finalidades. A comercialização recebeu R$ 4 bilhões, enquanto as operações de industrialização somaram R$ 2,9 bilhões. Já os investimentos em máquinas, equipamentos, irrigação e modernização das estruturas produtivas alcançaram R$ 3,5 bilhões.

Sul lidera número de contratos; Centro-Oeste movimenta R$ 7,2 bilhões

Na divisão regional, o Sul concentrou o maior número de contratos no período, com 22.631 operações, e registrou R$ 11,7 bilhões em crédito rural. A região foi seguida pelo Sudeste, que alcançou R$ 9,6 bilhões, e pelo Centro-Oeste, com R$ 7,2 bilhões.

O Nordeste registrou R$ 3,2 bilhões em concessões, enquanto o Norte somou R$ 1,7 bilhão. Os números indicam a distribuição regional dos recursos destinados à agricultura empresarial no início da safra, mas o balanço divulgado não detalha, na informação apresentada, a divisão dos valores por estado ou por cadeia produtiva.

Para Goiás, que integra o Centro-Oeste e possui forte presença do agronegócio, o dado regional ajuda a dimensionar a importância do crédito para a atividade produtiva, mas não permite afirmar quanto foi contratado especificamente pelos produtores goianos. A fonte oficial consultada apresenta o total regional, sem abrir nesta divulgação os valores correspondentes a cada unidade da Federação.

Programas de investimento somam R$ 10,9 bilhões em recursos equalizáveis

Segundo o Mapa, a programação orçamentária de recursos equalizáveis para a safra 2026/27 chega a R$ 97,6 bilhões. Nos dois primeiros meses da temporada, R$ 10,9 bilhões já haviam sido concedidos dentro desse grupo de operações, que inclui linhas voltadas ao investimento e à modernização da produção rural.

Entre os programas de investimento, o RenovAgro registrou R$ 412,9 milhões em contratações. Na sequência aparecem o Pronamp, com R$ 380,3 milhões, e o Moderfrota, que alcançou R$ 250,2 milhões. As linhas atendem a necessidades distintas, como adoção de práticas de produção sustentável, apoio a produtores de médio porte e financiamento de máquinas agrícolas.

O volume total contratado nos primeiros meses da safra reúne operações voltadas a diferentes momentos da atividade rural. O custeio está relacionado às despesas necessárias para conduzir a produção, enquanto a comercialização busca apoiar a venda e a industrialização agrega recursos ao processamento de produtos agropecuários. Os investimentos, por sua vez, contribuem para ampliar ou modernizar a estrutura das propriedades.

Os dados do Mapa e do Sicor oferecem um retrato inicial da movimentação financeira da safra 2026/27. Com R$ 65,7 bilhões contratados entre julho e agosto, o crédito rural empresarial começa a temporada com forte presença das CPRs e com recursos distribuídos entre custeio, comercialização, industrialização e investimentos.