Estado amplia investimentos de R$ 1,5 bilhão para R$ 5,2 bilhões e leva atendimento de UTI a 26 municípios, segundo dados oficiais.
Um balanço divulgado pelo governo estadual mostra que Goiás passou de 16 unidades de saúde em 2018 para 31 em 2026, um crescimento que redesenhou o mapa do atendimento público no estado. O levantamento aponta que o orçamento anual da pasta saltou de cerca de R$ 1,5 bilhão para R$ 5,2 bilhões no mesmo período, enquanto os investimentos totais foram de R$ 2,6 bilhões para R$ 5,7 bilhões. Para quem mora fora da capital, o dado mais sensível talvez seja outro: antes de 2019, os leitos estaduais de UTI ficavam concentrados em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis. Hoje, esse tipo de atendimento está presente em 26 municípios, o que reduz o tempo de deslocamento de pacientes que antes precisavam viajar horas para conseguir uma vaga. A pergunta que fica é simples: esse dinheiro chegou mesmo à ponta, ou ficou só no discurso oficial?
O que mudou na prática para o paciente do interior
A resposta começa pelos números de infraestrutura entregue. Segundo o balanço, unidades como o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), o Hospital Estadual do Centro Norte Goiano (HCN), o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) e o Hospital Estadual de Águas Lindas Ronaldo Ramos Caiado Filho (Heal) foram inaugurados dentro dessa janela de sete anos. Cada um desses equipamentos tira parte da pressão que hoje recai sobre os grandes hospitais de Goiânia, especialmente em especialidades como oncologia e pediatria, que historicamente exigiam deslocamento até a capital. O governo também formalizou a assinatura do protocolo de intenções para a compra do imóvel que deve abrigar o novo Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), negócio avaliado em R$ 500 milhões, o que indica que o principal hospital de urgência da rede estadual deve ganhar uma estrutura mais moderna nos próximos anos.
Ainda assim, é preciso separar o que já está em funcionamento do que ainda depende de etapas administrativas, como a conclusão da compra do imóvel do Hugo. A aplicação de recursos próprios do estado em saúde também cresceu, saindo de 12,1% para cerca de 15% das receitas estaduais, patamar acima do mínimo constitucional exigido para a área. Esse detalhe importa porque mostra que o aumento não veio só de repasses federais ou de crédito, mas também de uma escolha orçamentária do próprio governo goiano em priorizar o setor. Para o cidadão que usa o SUS no dia a dia, o efeito mais direto tende a aparecer na redução da fila para procedimentos que antes só existiam em Goiânia, como hemodiálise e alguns tipos de cirurgia especializada.
Os desafios que ainda persistem apesar do investimento
Mais estrutura não significa automaticamente mais médicos e mais equipe técnica disponível em cada município. A ampliação de leitos e a inauguração de hospitais costumam vir acompanhadas de um desafio adicional, que é atrair e fixar profissionais de saúde em cidades menores, um problema recorrente em praticamente todos os estados brasileiros. O balanço divulgado não detalha, por exemplo, o número de vagas de médicos e enfermeiros abertas junto com a expansão da rede, nem a taxa de ocupação atual dessas novas unidades. Esse tipo de informação costuma aparecer em relatórios técnicos da Secretaria de Estado da Saúde, e vale a pena o leitor acompanhar as próximas divulgações para entender se a estrutura física está sendo usada em capacidade plena.
Outro ponto de atenção é o ritmo de manutenção desses equipamentos ao longo do tempo. Construir ou comprar um hospital é uma decisão pontual, mas manter a operação, os insumos e a reposição de equipamentos exige orçamento recorrente ano após ano. A ampliação de hemodiálise nas policlínicas, citada em fontes ligadas ao governo estadual, é um exemplo de serviço que depende de contratos continuados com fornecedores privados, e não apenas de investimento inicial em infraestrutura. Municípios que ainda não foram contemplados com hospitais regionais também tendem a cobrar do estado uma previsão mais clara de quando sua região deve ser incluída no próximo ciclo de expansão.
Para quem vive no interior de Goiás, o balanço divulgado pelo governo estadual funciona como um retrato de sete anos de mudanças reais na rede pública de saúde, mas não encerra a discussão sobre qualidade e continuidade do atendimento. Números de investimento e de leitos são um indicador importante, porém precisam ser lidos junto com dados de tempo de espera, número de profissionais em atuação e satisfação de quem realmente usa o sistema. A tendência é que o tema volte à pauta política nos próximos meses, especialmente com a proximidade do ciclo eleitoral de 2026, quando o histórico de investimentos em saúde costuma virar argumento de campanha. Até lá, cabe ao cidadão acompanhar se a expansão anunciada se traduz em atendimento mais rápido na unidade mais próxima de casa.
Fontes: Tribuna do Planalto | A Redação | Diário Goianiense











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