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Hotéis e pousadas: Veja com Gianmarco Marchetti, como reduzir a rotatividade de funcionários

Gianmarco Marchetti
Gianmarco Marchetti

Escalas previsíveis, plano de carreira e bom clima de equipe ajudam a manter profissionais experientes e a proteger a qualidade do atendimento na hospedagem.

De acordo com o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, a rotatividade de funcionários desgasta qualquer operação hoteleira, mas pesa ainda mais em pousadas, onde cada pessoa cumpre várias funções. Afinal, cada desligamento leva embora conhecimento sobre hóspedes, rotinas e pequenos cuidados que sustentam a avaliação online.

Tendo isso em vista, a permanência da equipe decorre menos de salário isolado e mais da forma como o negócio organiza o dia a dia de quem atende. Assim sendo, reter talentos exige método. Três frentes concentram os maiores ganhos: escalas equilibradas, desenvolvimento de carreira e clima de equipe. Pensando nisso, a seguir, veremos como aplicar cada uma delas sem inflar a folha de pagamento.

Por que a rotatividade de funcionários cresce no setor de hospedagem?

O setor reúne fatores que favorecem a saída de profissionais: sazonalidade, jornadas irregulares e remuneração inicial modesta. Na alta temporada, a equipe trabalha no limite. Na baixa, enfrenta insegurança sobre horas e contratos. Segundo Gianmarco Marchetti, esse vaivém cria um ciclo conhecido, em que o cansaço gera pedidos de demissão e a reposição apressada reduz a qualidade do atendimento.

Isto posto, o erro mais comum está em tratar a saída como problema individual. Quando vários colaboradores deixam a casa pelos mesmos motivos, o diagnóstico aponta falhas de gestão. Mapear as causas em conversas de desligamento e reuniões periódicas permite corrigir o que realmente afasta as pessoas, em vez de apenas contratar mais.

Como as escalas de trabalho influenciam a permanência da equipe?

Uma escala previsível vale mais do que muitos benefícios pontuais. Quem conhece a folga com antecedência planeja estudos, família e descanso, o que reduz o desgaste emocional, ressalta Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda. Em pousadas, o rodízio justo de fins de semana e feriados evita que os mesmos profissionais carreguem sempre os piores turnos, situação que alimenta ressentimento e pedidos de saída.

Isto posto, a sazonalidade pede planejamento específico. Na alta temporada, contratar temporários treinados e distribuir tarefas pesadas entre mais pessoas protege a equipe fixa da exaustão. Na baixa, reduzir horas com acordo antecipado e oferecer capacitação evita demissões e mantém profissionais experientes por perto quando a demanda voltar, o que preserva a cultura de atendimento.

Aliás, a flexibilidade também precisa de regras claras. Trocas de plantão combinadas entre colegas, banco de horas transparente e divulgação da escala com pelo menos duas semanas de antecedência funcionam bem. Assim, o gestor mantém a cobertura necessária e a equipe ganha autonomia para conciliar trabalho e vida pessoal, pontua Gianmarco Marchetti.

Desenvolvimento de carreira que mantém bons profissionais

Muitos funcionários deixam hotéis e pousadas porque não enxergam o próximo passo. Um plano simples de crescimento muda essa percepção e mostra que a casa investe em quem permanece. Esse plano não exige estrutura corporativa, apenas critérios claros e acompanhamento regular. Com isso em mente, algumas práticas se adaptam a qualquer porte de operação:

  • Trilhas de função: Definir etapas claras, como camareira, supervisora e governanta;
  • Treinamento cruzado: Ensinar a cada profissional tarefas de outros setores, como reservas e recepção;
  • Promoção interna: Priorizar a equipe atual quando surgirem vagas de liderança;
  • Feedback periódico: Conversar a cada trimestre sobre metas, dúvidas e evolução.

Dessa maneira, a promoção interna produz um efeito duplo: reduz o custo de contratação e fortalece o sentimento de pertencimento. Quando a equipe vê colegas crescendo, passa a acreditar que o esforço diário tem retorno. Esse sinal vale mais do que qualquer campanha de endomarketing e sustenta a lealdade a longo prazo.

Clima de equipe: o fator que sustenta a retenção

Escalas justas e carreira definida perdem força em um ambiente tenso. O clima de equipe nasce de pequenas atitudes diárias, como reconhecer o trabalho bem feito, ouvir sugestões e resolver conflitos sem exposição. Em estabelecimentos pequenos, o convívio é intenso, então um desentendimento mal conduzido contamina todos os turnos rapidamente.

Inclusive, o líder define o tom do ambiente, conforme frisa Gianmarco Marchetti, gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006. Gestores que cumprimentam, explicam decisões e reconhecem esforços criam confiança. Reuniões curtas no início do turno, refeições de qualidade e celebração de metas coletivas reforçam o vínculo. Dessa forma, a rotatividade diminui porque o profissional associa o local de trabalho a respeito e acolhimento.

Reter funcionários é a base de uma hospedagem memorável

Em última análise, reduzir a rotatividade de funcionários em hotéis e pousadas depende de decisões coerentes: escalas previsíveis, caminhos de crescimento visíveis e liderança que cuida do ambiente. Cada frente fortalece as outras, e o resultado aparece na qualidade do atendimento, na avaliação dos hóspedes e no custo de operação. Portanto, comece pelo diagnóstico das saídas recentes e priorize a mudança mais simples de aplicar.